Liga dos Bombeiros lamenta falta de aviso sobre atendimento durante greve do INEM

Liga dos Bombeiros lamenta falta de aviso sobre atendimento durante greve do INEM

O presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses afirmou hoje que o INEM não avisou previamente sobre alterações no atendimento do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) durante a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar no final de 2024.

Lusa /
Foto: João Marques - RTP

"Nós não fomos contactados previamente para nos avisarem de que havia uma alteração substantiva no atendimento", afirmou António Nunes, na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para apurar responsabilidades durante a greve no final de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

De acordo com o responsável, os bombeiros e os cidadãos foram apanhados "completamente desprevenidos" com os atrasos na resposta às emergências.

António Nunes explicou que os corpos de bombeiros começaram a receber chamadas diretas de cidadãos que não conseguiam ser atendidos pelo INEM, situação que considerou "surpreendente e preocupante".

"Houve atrasos sistemáticos no atendimento e muitos bombeiros ficaram sem perceber o que estava a acontecer", vincou.

O dirigente sublinhou que, embora reconheça o direito à greve, deveriam ter sido acautelados serviços mínimos adequados, o que não aconteceu.

 "Houve corpos de bombeiros que ficaram muito surpreendidos quando as pessoas começaram a ligar para eles", relatou.

O presidente da LBP destacou ainda que a imagem pública do INEM contribuiu para a confusão.

"Os cidadãos ouvem falar no INEM e no CODU como entidades prestigiadas. Quando veem uma ambulância amarela dizem `vem aí o INEM`, e lá dentro estão bombeiros, não está o INEM", salientou

Para António Nunes, o episódio demonstra falhas de planeamento e comunicação, com impacto direto na confiança dos cidadãos e na capacidade de resposta do sistema de emergência médica.

Entre 31 de outubro e 4 de novembro de 2024, durante a à greve às horas extraordinárias dos técnicos de emergência pré-hospitalar, registaram se 12 mortes, três das quais associadas a atrasos no socorro, segundo a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

Composta por 24 deputados para apurar responsabilidades políticas, técnicas e financeiras relativas à atual situação do INEM, a CPI foi aprovada em julho do ano passado por proposta da IL.

O foco inclui a atuação do INEM durante a greve do final de outubro e início de novembro de 2024 e a relação das tutelas políticas com o instituto desde 2019.

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